Nesta data tão especial, sexta-feira, dia 20, chega aos cinemas brasileiros o tão esperado filme “O Último Mestre do Ar”, obra mais recente do famoso M. Night Shyamalan. Minha idéia inicial foi escrever sobre todas as estréias da semana, mas, esse filme em particular, merece um post próprio. Por quê? Simples, pela recepção, digamos, calorosa que ele tem recebido ao redor do mundo. Mas, vamos dar uma olhada em suas obras primeiro.
“O Sexto Sentido”, filme que o tornou conhecido do grande público, mesmo não tendo sido seu primeiro trabalho cinematográfico é, sem dúvida, uma grande realização, digna do sucesso que recebeu. Depois veio “Corpo Fechado”. Ok, eu acho um filme bacana. Depois, “Sinais”. A coisa começou a ficar estranha. Mel Gibson, aliens esquisitos, chapéus de Hersheys. Mas tudo bem. Deve ter algum propósito, no próximo ele se redime, pensava eu. E o que veio depois? “A Vila”. Quem sabe eu até ache legal. Não. Não é legal. O combo que sucedeu essa esquisitice toda foi uma tapa na cara daqueles que ainda viam algum futuro naqueles jovens olhos indianos. “A Dama na Água” e “Fim dos Tempos” te fizeram começar a pensar: “puta merda, esse cara de novo não”. Triste, mas verdade. O gráfico baseado nas críticas do diretor no RottenTomatoes não me deixa mentir.
Colocando desse jeito, é bem capaz que a proeza de conseguir a primeira somatória de crítica negativa seja obtida por M. Night blablabla. Mas, com um background desses, já não dava pra esperar muito da adaptação que Manny, como é carinhosamente apelidado, faria do desenho Avatar. Eu particularmente nunca vi a série animada, não sei se é bom ou não, meu conhecimento se resume a saber que o moleque tem uma seta na testa. E que ele é, aparentente, asiático. Mas retorno com isso mais pra frente.
Muitos declaram que esse é o pior filme que eles já
viram em suas vidas. Outros afirmam que chamar esse de o pior filme que já viram em suas vidas é pouco, e não faz jus ao terror que Shyamalan os fez passar. Roger Ebert, um dos mais famosos críticos norteamericanos, disse que “O Último Mestre do Ar é uma experiência agonizante em toda categoria que eu possa imaginar, e em outras que ainda nem foram inventadas”. Quando você chega ao ponto de ter um jornalista recitando as críticas ruins que seu filme recebeu pra você em uma coletiva de imprensa, quer dizer que algo está errado. Muito errado.
E quando chega no extremo de que o mero ato de ter seu nome pronunciado em um trailer já gera uma maré de revoltas, xingamentos e vaias na platéia? Pois é, foi o que aconteceu com Devil, novo filme de Drew e John Erik Dowdle, e que tem Shyamalan como principal “mentor”. Só de aparecer “From the Mind of..”, já foi o suficiente pra causar esse tumulto todo. Viram, não sou eu que estou pegando no pé, a coisa está ficando realmente feia pro lado dele.
Mas peraí, peraí. Antes de sair crucificando o rapaz, ouçam o que ele tem a dizer. Querem mesmo? Tem certeza? Tudo bem, vocês que pediram. Ele disse, em entrevista, que os americanos o massacram tanto por não entenderem a “sensibilidade mais europeia” presente em seus filmes. Completou ainda, dizendo: “vou nos Estados Unidos, sou massacrado. Depois pego um avião, vou para o Japão e eles dizem, você é um gênio!”. Gênio? A única genialidade dele nesses últimos anos foi inventar essa desculpinha sem graça aí.
Não adianta fazer essa cara de filho do padeiro aí, Manny. E, como se não bastasse tudo de ruim que já mostrei pra vocês aqui até agora, esse filme conseguiu, além de unir todos os críticos numa cruzada de ódio, iniciar um esquisito debate racial. Os principais personagens da série “Avatar: A Lenda de Aang” são Aang, que teve suas feições baseadas no povo asiático, Katara e Sokka, baseados no povo inuíte. O que aconteceu, e provocou esse debates, foi que, para esses papéis, foram escolhidos atores caucasianos. Veja a imagem a seguir:
Isso trouxe de volta todo debate sobre algo recorrente no teatro norteamericano no início do século XIX, o Blackface. Nele, o ator, branco, pintava o rosto com tinta negra, para então poder atuar, na maioria das
vezes de forma extremamente racista, simulando um ator negro. Temos um bom, e engraçado, exemplo disso no personagem de Robert Downey Jr. em “Trovão Tropical”.
Nos cinemas, a prática mais comum foi o Yellowface, onde acontecia algo semelhante ao modo como os negros eram retratados antes no teatro mas ,dessa vez, mostrava os asiáticos com traços extremamente estereotipados e racistas. Essa prática é até apontada em conhecidos filmes, como os de Charlie Chan ou “Bonequinha de Luxo”. Dessa forma, os “mocinhos” são brancos e os “vilões” são “de cor”. Inclusive, Dev Patel faz o papel de Zuko, vilão do filme. Pô, o cara acabou de ganhar 20 milhões de rúpias, deixem ele em paz.
Afinal das contas, seria culpa do Manny esse casting “racista”? Ou dos grandes estúdios, que olham apenas para o mais rentável, com uma mente ainda extremamente atrasada, se sujeitando a fiascos como esse? É difícil dizer. Eu vou esperar pra ver o filme, pra falar especificamente dele. Só estou reproduzindo algumas opiniões que achei interessante do que acontece pelo mundo. No final, só resta uma pergunta, a que realmente importa: aquele cara é o Jasper do Crepúsculo?
PS: Espero não ter acabado com a sua vontade de ver o filme. E sim, é ele mesmo. Se você se interessar pelo assunto, tem um site que luta contra essa descaracterização dos diferentes povos no cinema. Só entrar aqui e dar uma olhada. Aproveite e, depois que ver o filme – ou antes, whatever – dê uma olhada nesse especial da Cracked, é genial.
Por Paulo Gadioli





Esse cara tem mais é que se foder mesmo. É ridículo um cara desses estar tendo seus fiascos financiados com milhões enquanto tantos outros podiam estar fazendo tão mais com esse dinheiro.
Volta pra Índia, safado.