18
Set
10

Joaquin Pho(ax)enix

É, parece que finalmente chegamos ao final da novela – praticamente mexicana – que tem Joaquin como seu protagonista. Phoenix, Joaquin Phoenix. Para quem não está familiarizado com a história, vou fazer aqui uma breve retrospectiva.

Joaquin Rafael Phoenix, anteriormente conhecido como Leaf Phoenix, é um ator e cantor estadunidense e porto-riquenho. Ele nasceu em Porto Rico onde viveu até… wikipedia, blábláblá. Ele ficou realmente famoso com o estouro de Gladiador, em 2000, onde viveu o vilão Commodus, deixando esse rosto conhecido pelo mundo todo.

Depois, mais algumas boas performances como em Sinais (discutível), Brigada 49 e o último trabalho que lhe rendeu uma indicação ao Oscar: Johnny e June. Neste último, Phoenix viveu o lendário Johnny Cash, numa atuação inspirada, provavelmente a mais bem sucedida de sua carreira. Depois destes filmes todos, veio seu último trabalho, Amantes. Esse filme de 2008 é baseado no clássico de Luchino Visconti “Noites Brancas” que, por sua vez, é baseado na obra homônima de Fiodor Dostoievski.

O que interessa não é o filme em si, que acabou não ficando tão ruim assim. Dostoievski no estilo Hollywood. O que interessa, de verdade, é o que aconteceu durante a promoção desse filme. O protagonista, Joaquin Phoenix, o mesmo rapaz garboso ali em cima, aparentemente perdeu qualquer noção e contato com a realidade, e apareceu assim no programa de David Letterman, protagonizando uma pérola da televisão moderna, daquelas coisas que fazem a vida valer a pena:

Com essa performance espetacular, ele deixou todos com a mesma pergunta na cabeça. Seria uma farsa, seria verdade, o triste apogeu de um ícone hollywoodiano? Logo após, ele anunciou que se aposentaria do mundo dos filmes, apostando apenas em sua carreira como cantor de rap. Eu me recuso a colocar os vídeos dessa “carreira” porque… bem… assistam por vocês mesmos, se tiverem coragem.

Agora, o capítulo final dessa novela foi o documentário “I’m Still Here”, rodado nesse chamado ano perdido de Phoenix. Quem dirigiu essa bagaça foi Casey Affleck, irmão mais novo daquele cara que fez o Demolidor. É, nem me lembre. Enfim, esse documentário causou uma grande polêmica, pois, nele existiam cenas com nosso querido Quin cheirando cocaína, abusando da beleza das belas moças de Las Vegas, supostos cleaveland steamers (não procurem o que é isso, de verdade), e, pior de tudo, mostrou essa tal carreira dele como rapper.

Ninguém acreditava que era verdade mas ele finalmente saiu, e fez sua estreia no Festival de Cannes, um dos – ainda – mais conceituados festivais de cinema do mundo. É, complicado. Pareceu a coisa mais desagradável do mundo, ou, como diria Roger Ebert, “foi o prego final no caixão de Joaquin Phoenix”. Mas, tudo que é bom, dura pouco. No dia 17 de setembro, Casey Affleck falou ao NY Times e admitiu que era tudo mentira. Um minuto de silencio pela notícia.

Agora, paremos para pensar. Joaquin Phoenix ficou mais de um ano, encarnando essa “persona”, perdendo potenciais trabalhos, vivendo dessa polêmica, para agora ser revelado tudo um grande boato. Eu não vi o documentário ainda, não chegou em terras brasileiras, mas assistir ele já sabendo esse huge spoiler vai transformar a experiência. Era justamente essa a idéia de Affleck (não o Ben) ao deixar o filme rolar sem contar essa informação. Ele queria que as pessoas tivessem a experiência de ver um ator em franca decadência. Verdade seja dita, se as pessoas quissessem ver isso, só tinham que parar para assistir qualquer filme do Ben Stiller.

Seria essa então uma tentativa desesperada de atenção ou a melhor e mais real atuação dos últimos tempos? Eu, pessoalmente, achei isso sensacional. Em uma Hollywood plástica, onde cada vez mais são reciclados roteiros, filmes e idéias, uma tentativa assim, ousada, por mais imbecil e infrutífera que possa ter sido, mostra que ainda tem alguém pensando em fazer algo diferente. Phoenix irá participar novamente do programa de Letterman no dia 22 de setembro, dessa vez sem esse personagem, e parece que explicará tudo. Mas, de qualquer forma, esses dez minutos da primeira entrevista concedida por Phoenix ficarão imortalizados, e spoiler nenhum vai estragar esse momento.

PS: Ou vai. Aparentemente, até o David Letterman tava sabendo dessa presepada toda. Minha tristeza é inenarrável, senhores. Inenarrável.

- Por Paulo Gadioli


1 Resposta to “Joaquin Pho(ax)enix”


  1. 1 Vinícius de Melo
    19/09/2010 ás 03:44

    Não resisti e procurei “cleveland steamers” no Google. Há seu equivalente em português, chuva negra. Bruna Surfistinha também é cultura…


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