Geralmente, quando me coloco a escrever algo neste blog, é sobre alguma novidade interessante, ou sobre algum filme bom – ou não – que assisti recentemente. Essa é a primeira vez que eu coloco alguma coisa com teor um pouco mais triste, mas, não podia deixar essa notícia passar em branco. Prometo tentar não deixar você contemplando o suicídio.
Quentin Tarantino é um dos diretores mais cultuados, tanto por fãs quanto por crítica, nos dias de hoje, certo? Certo. Ele escreve e dirige todos os seus filmes, certo? Certo. Mas, existe alguém ali no processo, responsável por toda edição daquelas inúmeras cenas gravadas. Esse alguém é o editor, figura geralmente misteriosa, que fica enfurnado no alto de seu castelo transformando o bruto em ouro.
Sally Menke, uma das mais antigas colaboradoras de Tarantino, acabou transcendendo esse limite de invisibilidade, se tornando algo presente no imaginário que envolve o diretor. Para se ter idéia, em Kill Bill Vol. 1, o diretor sugeriu que, a cada erro cometido pelos atores, fosse mandado um olá para a editora. Surgiu então o “Hey Sally!”, que virou uma espécie de tradição em seus filmes seguintes: Kill Bill Vol. 2, À Prova de Morte e Bastardos Inglórios. Nos dois últimos, foram separados estes trechos e colocados nos extras do DVD.
Neste vídeo acima, retirado de À Prova de Morte, Quentin Tarantino primeiramente explica um pouco sua relação com a editora e o motivo dela ser tão importante neste processo criativo. De quebra, os atores mandando um olá para Sally, após os erros. Até fazendo isso o Kurt Russel consegue ser badass. Mas, enfim. Esse foi o penúltimo filme feito por Quentin, mas o último a chegar no Brasil. Muito obrigado por isso, distribuidoras, diga-se de passagem. É sempre mais legal assistir um filme no cinema apenas três anos depois de seu lançamento.
Este é do último filme realizado por Tarantino, o excelente Bastardos Inglórios. Meu “Hi Sally” preferido deste filme vai para Mélanie Laurent que, mesmo ensanguentada, consegue dar o olá mais fofinho do vídeo. Peço desculpas, não consegui achar outro adjetivo à altura.
Esse tipo de tratamento quase exclusivo mostra quão importante ela era para o Tarantino e, por conseqüência, para todos que gostam de bons filmes. Quando os atores erravam, deixavam um olá, mas agora quem errou foi a morte, levando embora um talento cedo demais, deixando todos nós com apenas duas palavras a dizer: Goodbye, Sally!
PS: Se quiser saber, jornalisticamente, o que aconteceu com ela e tudo mais, só clicar aqui. Já basta encheção de saco com lead e pirâmide invertida na faculdade. E, só para não falar que eu deixei passar, ela também editou aquele clássico filme das Tartarugas Ninjas. Viu, ela está mais presente na sua vida do que você imaginava.

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